Um ano de surpresas – Helena Garrido

Dezembro 25, 2015

Começámos com a crise no euro ainda na Grécia. Terminámos com um abalo histórico de terrorismo e migrações. Em Portugal foi em 2015 que se quebrou o “muro” de quatro décadas entre o PS e o PCP – e pela primeira vez na história da democracia portuguesa, quem ganhou as eleições não formou governo.

O ano 2015 encerra com tantas incertezas quantas aquelas com que começou. Diferentes mas igualmente preocupantes e somando-se às que já existiam. Sem que a crise no euro esteja ainda resolvida de vez, a União Europeia enfrenta agora preocupações com o terrorismo e as migrações.

Em Portugal, o fim de uma era que garantia que quem ganhava eleições governava e quem governava eram o PS, o PSD e o CDS, abriu novas frentes de incerteza. No fim deste ano 2015 ainda não se percebeu bem como vai governar o PS de António Costa.

Para quem tem empresas, quer estejam viradas para o mercado interno quer para o externo, o ano revelou-se difícil pela soma de riscos. Angola deixou de ser uma saída para ganhar a vida, o Brasil entrou numa crise histórica e na Europa desenham-se ainda recuperações muito frágeis. Na frente política, os anos de crise começam a ter os seus reflexos com a radicalização.

Esperávamos ter de enfrentar ainda os abalos da crise no euro. Ninguém esperava que aos problemas económicos e financeiros se juntassem incertezas políticas e de segurança. Foi um ano de surpresas mais desagradáveis do que promissoras.

 Helena Garrido, Revista Sábado, Dezembro 2015
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