Costa e afins

Claro está que os problemas com o BES ou com o Banif ou com os outros bancos não começaram a dar-se por causa dele ou por ter, de repente, olhado para o lado. Mas que foi no seu turno que os problemas se consumaram, que foram demasiadas as hesitações, os atrasos, as contemplações. No caso BES não há dúvidas. Que Carlos Costa se tornou um braço armado político do anterior governo, esquecendo a fulcral autonomia do Banco de Portugal, também é claro para toda a gente. Afirmar que, em diversas ocasiões – é ver as comissões parlamentares -, se portou como um autêntico deputado dos partidos do anterior governo e um entusiasta da sua política económica não fará ninguém levantar o sobrolho. Que anda a esconder um relatório feito por uma entidade particular sobre a atuação no BES no processo que conduziu à resolução do BES. Que o processo de venda do Novo Banco é um hino à incompetência. Que atentou contra os interesses de Portugal na questão das obrigações seniores do Banif, levando a uma maior desconfiança no nosso país, pode até ser discutível mas é, para mim, evidente. Que aceitou ser jogador, treinador e árbitro numa situação tão estapafúrdia que só pode – e está – a dar mau resultado, quando aquiesceu a ser ele o vendedor do Novo Banco, é mais do que óbvio. A listagem de erros, de atos incompetentes, de desprezo ou ignorância do que deve ser a posição institucional de um governador do Banco de Portugal fica longe, muito longe de estar concluída.

Pedro Marques Lopes, in Diário de Notícias

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