Dulce Garcia “A procissão do Marão e o fósforo de Sócrates”

Como é que achas que o Sócrates foi para o Norte inaugurar o túnel do Costa?

– Suponho que de carro. Mas o túnel não é do Costa, é nosso. E anda a ser construído há tanto tempo que faz lembrar as obras de Santa Engrácia.

– Essa é aquela santa da procissão a que o Marcelo foi este fim-de-semana, não é?

– Qual procissão? Estou a falar duma igreja monumental ali ao pé da feira da Ladra que levou quase 300 anos a ficar pronta. Não tenho ideia de que seja especialmente cara ao Presidente.

– Cara? Deve ter sido caríssima! – 300 anos de obras. Depois dizem que agora é que é tudo uma trafulhice; imagino as luvas que não se pagaram aos empreiteiros dessa Santa Grácia.

– Engrácia.

– Ou isso. Com tanta gente que ia para o Norte, como é que o Sócrates não apanhou uma boleia? Sempre rachava a gasolina, que aquilo deve andar mau sem a ajuda do amigo Santos.

– O Santos, o Santos…

– Na volta aproveitou a viagem e deu um saltinho à fronteira para atestar o depósito. Que o ministro da Economia não saiba. Está farto de pedir para não pormos gasolina em Espanha. Já viste se o Sócrates se descaiu e, no intervalo para a bica, contou ao Costa que ia à bomba espanhola?

– Ó mulher, eles nem se podem ver, quanto mais falar de gasolina. Trocavam duas palavras e explodia tudo. Até o túnel.

Dulce Garcia, Revista Sábado, 16 Maio 2016

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